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A falácia da aposentadoria e o desafio dos ambientes corporativos diante da longevidade

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A palavra “aposentadoria” está com os dias contados. E não é por falta de dinheiro. É por excesso de vida.

Durante muito tempo, trabalhar até os 60 e depois “descansar” parecia razoável. Hoje, isso soa como desperdício. Envelhecer passou a ser um processo mais longo, mais ativo e mais complexo. O tempo ganhou elasticidade. E com ele, vieram novos dilemas: o que fazer com as décadas extras de vida? Quem ser depois dos 60, dos 70, dos 80?

O mundo já entendeu. O Brasil, não.

Nos Estados Unidos, mais de 11 milhões de pessoas acima dos 65 continuam no mercado de trabalho. Muitas por escolha. Outras por necessidade. Mas todas desafiando o clichê do “encerramento”.

No Japão, onde quase um terço da população tem mais de 65 anos, empresas recontratam aposentados em contratos flexíveis. Trabalham menos horas, em funções ajustadas, mas seguem produzindo valor, repassando conhecimento e sustentando a própria dignidade.

Na Alemanha, adiar a aposentadoria virou prática comum. Em vez de perder capital humano experiente, o sistema oferece incentivos para quem permanece ativo. O mesmo ocorre na Suécia, onde o conceito de envelhecimento produtivo é parte da cultura.

Em Singapura, a lei obriga empresas a oferecer extensão contratual até os 68 anos. A mensagem é clara: se a sociedade vai viver mais, ela precisa se manter economicamente relevante.

Enquanto isso, no Brasil, profissionais 60+ ainda esbarram em barreiras sutis, mas implacáveis. O etarismo corporativo é disfarçado de feedback, cultura e perfil. E é exatamente aqui que mora a falácia da aposentadoria.

A aposentadoria como ideia ultrapassada

A aposentadoria foi criada num contexto em que a expectativa de vida era baixa e o trabalho era massacrante. Era um “prêmio” para quem sobrevivia ao desgaste.

Hoje, a maioria das pessoas chega aos 60 com tempo, energia e capacidade para continuar contribuindo. Mas o sistema segue empurrando essas pessoas para fora.

É uma engrenagem velha para uma sociedade nova. Um rótulo que não faz mais sentido. “Aposentado” deveria ser apenas um status burocrático, não um atestado de fim de linha.

O problema é que boa parte das empresas ainda enxerga a experiência como sinônimo de alto custo, baixa energia e dificuldade de adaptação. Ignoram que os profissionais maduros trazem uma combinação rara: repertório, constância, capacidade analítica e regulação emocional.

Os alfinetes invisíveis dos ambientes corporativos

Poucas empresas dizem que não contratam por idade. Mas muitas se escondem por trás de frases como:

  • “perfil muito sênior para a vaga”

  • “não tem fit com a cultura”

  • “precisamos de alguém mais digital”

  • “nosso time é jovem, pode gerar ruído”

Esses são os alfinetes invisíveis que cercam os profissionais mais velhos. Pequenos, quase imperceptíveis, mas suficientes para manter muita gente fora da cena.

E quem perde não é apenas o candidato. As empresas perdem diversidade etária, perdem memória organizacional, perdem maturidade emocional nos times, perdem capacidade de formar as novas gerações com base em vivência real.

O tempo virou ativo

A sociedade está envelhecendo. A economia prateada vai movimentar mais de R$ 2 trilhões até 2030 no Brasil. Os consumidores mais velhos são os que mais crescem em poder de compra. E, paradoxalmente, os que mais sofrem com invisibilidade no mercado de trabalho.

O trabalho não é mais uma fase. É um fluxo. Pode desacelerar, mudar de função, se adaptar. Mas não precisa acabar.

A pergunta é: o Brasil vai continuar tratando quem tem 60+ como um custo… ou vai começar a enxergar como potência?

Para onde vamos?

Os dados não mentem. As projeções demográficas também não. A longevidade já é um fato. Falta transformar isso em estratégia.

Isso exige mudar leis, sim. Mas, sobretudo, mudar mentalidades.

RHs mais corajosos. CEOs mais conscientes. Times mais diversos.

E um mercado que pare de medir talento por idade e comece a avaliar por entrega, repertório e capacidade de influenciar com consistência.

Porque a palavra aposentadoria pode até continuar existindo nos sistemas. Mas, na vida real, ela já perdeu o sentido.

 

 

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